Psicoses acadêmicas


– João tem três maçãs e come duas, quantas ficam?

– Não tem nenhuma maçã, não tem nenhum João, professora. Você tomou o seu remédio hoje? Eu vou chamar alguém na enfermaria, você não está bem.

Dwsz.

Meu pai, ser gay não é crime nem doença


Meu pai,

 

Você sabe que no mundo de hoje a homossexualidade já é bem aceita. Não é nenhuma doença, não é nenhum transtorno psíquico, não é crime. Até a religião ortodoxa está reconceituando “pecado” pra considerar o amor entre duas pessoas.

Hoje em dia alguém só te pergunta “você é gay?” se quiser saber quanto você tem pra gastar, se você vai levar qualquer um ou analisar criteriosamente, se vai comprar o mais barato ou o de melhor qualidade.

Ser gay não significa ser afetado, ser “bicha louca” e “dar pinta” por aí. Até o ator principal daquele seriado que você gostava recusou um pedido pra ir à Rússia por ser gay. Ele RECUSOU! Não foi impedido, não foi barrado nem foi humilhado. Pelo contrário: muita gente aprovou a decisão dele.

Até mesmo uma das minhas irmãs – sua filha – declarou no última dia dos pais, nossa última reunião de família, que é favorável ao casamento entre pessoas do mesmo gênero.

 

Eu não aguento mais viver desse jeito, é muito sofrimento dentro da família.

 

Então, meu pai, por que você não assume seu relacionamento com Ferreira?

Dowglasz.

COASTAC 1106


Quem circula por Camaçari – isso inclui principalmente os alunos do Ifba, pacientes do HGC e moradores do Jardim Limoeiro – estão expostos a diversas calamidades. Além das mais comuns e sempre citadas, está a falta de segurança no transporte coletivo.

Na manhã dessa sexta-feira, 13 de Maio de 2011, por volta 10:30, motorista e cobrador do veículo 1106 da cooperativa COASTAC foram discutindo desde a garagem, próximo ao Pólo Plástico, até, pelo menos, ali próximo à prefeitura, onde eu desci.

O motivo da discussão foi a falta de compromisso do cobrador – que ameaçou várias vezes, na presença de seis passageiros, tirar a farda e abandonar a viagem, dizendo “assim é melhor pra mim” a que, claro, eu fui incapaz de não responder “assim é melhor prà gente também”. Se eu não já estivesse no meu ponto, o cobrador – claramente (mentalmente) desequilibrado – cismaria também comigo.

Penso que tipo de tragédia não será manchete esse domingo: “Cobrador agride passageiro e é baleado com cinco tiros na cabeça” ou “Cobrador e motorista brigam durante viagem – cobrador armado mata dois passageiros”. Esse último parágrafo é especulatório mas não está distante da realidade das ruas e, aqui já é fato, eu não conheço as causas do desequilíbrio mental desse cobrador.

Eu posso muito bem usar outros veículos para chegar aonde quero – principalmente porque não tenho horários fixos – mas, o que me incomoda realmente, é saber que o COASTAC 1106 passa na frente da minha casa todos os dias.

Dwsz.

Ladrões de corpos? Delírio transforma os seus entes queridos em impostores


Num dia comum de janeiro, uma ideia assustadora aterrorizou uma mulher de 45 anos de idade, no estado norte-americano do Nebraska: seu marido e filhos adolescentes não eram, de fato, seu marido e filhos adolescentes. Pessoas estranhas, idênticas aos membros de sua família, tinham tomado o lugar delas. Para se defender, a mulher os ameaçou com o instrumento de acender lareiras e chamou seus vizinhos – além da polícia.

Isso soa como um episódio do antigo seriado de ficção “Além da Imaginação”, mas a mãe e esposa de Nebraska estava sofrendo na vida real. Seu mal: a chamada “ilusão de Capgras”, um distúrbio psiquiátrico raro em que o paciente acredita que seus amigos ou familiares não são quem eles dizem que são. Segundo quem sofre do distúrbio, as pessoas reais foram substituídas por impostores mal-intencionados.

Nós reconhecemos os diversos rostos graças a uma parte do cérebro chamada giro fusiforme, que está localizada no lobo temporal. Ele processa os rostos que vemos e envia essa informação para outra parte do cérebro, a amígdala, responsável pelo processamento de emoções.

Em pacientes com Capgras, porém, há uma desconexão entre o centro visual e o centro emocional, como explica a Mariam Garuba, a psiquiatra de Nova York que tratou a mulher do início da matéria quando ela foi internada em uma sala de emergência em Omaha, Nebraska, há três anos. (Miriam escreveu sobre o caso incomum, referindo-se ao paciente apenas como “Sra. A”, em uma revista de psiquiatria clínica no ano passado.)

Em suma: a “Sra. A” sabia que as pessoas dentro da sua casa pareciam, falavam e agiam como seu marido e filhos, mas eles não a faziam sentir do jeito que ela sempre se sentiu quando estava na presença deles.
É importante notar que se um paciente de Capgras falar com uma pessoa amada no telefone, ele reconhece a voz. Porém, se essa mesma pessoa entra no quarto, o paciente vai acusá-la de ser um impostor porque a audição e a visão tomam caminhos diferentes para chegar ao centro emocional do cérebro.

Em alguns casos, essa desconexão que é tida como a causa da Capgras é provocada por um ferimento na cabeça, em outros, está relacionado a um transtorno psiquiátrico ou neurológico já existentes. A “Sra. A” se encaixa no segundo grupo: ela é uma paciente com transtorno bipolar de longa data, além de já ter sido diagnosticado com esclerose múltipla. Apesar de ter tomado medicamentos para tratar o transtorno bipolar no passado, ela não estava tomando nenhum – sequer para a esclerose múltipla – em janeiro de 2007, quando a confusão mental contra sua família ocorreu.

Seus médicos, incluindo Garuba, acreditam que o delírio de Capgras ocorreu por causa de uma recaída da esclerose múltipla da “Sra. A”. Ela foi tratada com antipsicóticos, e depois de alguns dias, ela foi gradualmente deixando de acreditar que os médicos estavam tentando envenená-la. Depois de quase um mês no hospital, ela parou de acreditar que os membros da sua família eram impostores.

O distúrbio raro presta homenagem a Joseph Capgras, o psiquiatra francês que primeiro escreveu sobre a ilusão, em 1923, depois de tratar uma mulher que se convenceu de que o marido e os outros que ela conhecia eram realmente dublês de corpo. Casos semelhantes à “Sra. A” nos últimos anos incluem o da mulher de 24 anos que, após algumas complicações com pneumonia pneumocócica, sofreu crises epilépticas e começou a acreditar que alguns dos médicos da UTI tinham sido substituídos por impostores.

No Reino Unido, uma mulher de 42 anos alegou que, enquanto ela estava na UTI por pneumonia em 1999, cada um dos membros da sua família – com exceção de sua mãe – foi substituído por alienígenas.

 

Fonte: http://hypescience.com/ladroes-de-corpos-delirio-transforma-os-seus-entes-queridos-em-impostores/comment-page-1/#comment-75207

Anorexia tem causa genética?


Cientistas identificaram mudanças genéticas que podem aumentar o risco de desenvolver a anorexia, um transtorno alimentar que atinge muitas pessoas. As variações incluem pequenas alterações em pontos simples nas sequências dos genes, assim como grandes segmentos de DNA que foram duplicados ou apagados.

Pacientes com anorexia têm um medo irracional de ganhar peso, e uma percepção distorcida da própria imagem corporal. A condição afeta 10 vezes mais mulheres do que homens, e geralmente começa na adolescência.

Estudos realizados com gêmeos têm levado pesquisadores a acreditar que a anorexia é altamente transmissível, e que os genes poderiam ser responsáveis por mais da metade da susceptibilidade de uma pessoa à condição. No entanto, como poucos genes têm sido implicados como fatores de risco, as bases genéticas da anorexia permaneceram, em grande parte, desconhecidas.

Para tentar resolver o problema, os pesquisadores examinaram os genomas de 1.003 pessoas com anorexia (com idade média de 27 anos), e comparou os dados com os genomas de 3.733 crianças (com idade média de 13 anos) que não tinham anorexia. Embora seja possível que algumas dessas crianças desenvolvessem anorexia mais tarde, o número seria tão pequeno que era pouco provável que tivesse impacto na análise.

Os pesquisadores encontraram alguns pontos ao longo do genoma nos quais os dois grupos diferiram entre si. Os chamados polimorfismos de nucleotídeo único, ou PNU, podem desempenhar um papel na base genética da doença.

Um dos pontos que os pesquisadores acreditam estar envolvidos na condição é o gene chamado OPRD1, que estudos anteriores haviam sugerido que estava ligado à anorexia. A nova pesquisa validou esse resultado. Outro ponto envolvido foi entre dois genes chamados CHD10 e CHD9. Outra pesquisa dos mesmos cientistas havia ligado essa região particular com o autismo. Os pesquisadores acreditam que os genes influenciam a forma como as células do cérebro conversam entre si.

Segundo eles, o fato de que os genes também desempenhem um papel na anorexia, que é outro tipo de doença psiquiátrica neural, é muito intrigante. Embora os sintomas das doenças sejam diferentes – o autismo envolve distorções nas interações sociais, enquanto a anorexia envolve distorções da imagem corporal – os caminhos do cérebro que são interrompidos nas duas condições podem ser semelhantes.

Os pesquisadores também analisaram as alterações genéticas chamadas variantes do número de cópia, ou VNC, que são pedaços de DNA que são replicados ou ausentes. O estudo foi o primeiro a procurar essas variações em pessoas com anorexia. Pacientes com algumas condições psiquiátricas, como esquizofrenia e autismo, têm um número maior de algumas VNCs.

Entretanto, os pacientes anoréxicos não tinham um maior número de VNCs associadas a outras doenças. Os pesquisadores suspeitam que essas variações genéticas particulares não desempenham um papel na anorexia como fazem em outras doenças psiquiátricas.

No entanto, algumas outras VNCs apareceram em pacientes anoréxicos, embora em um número pequeno de pessoas. Uma dessas VNC era uma deleção no cromossomo 13. Essa VNC ocorreu 10 vezes mais frequentemente em pacientes com anorexia do que entre o grupo de controle.

Daqui para frente, os pesquisadores planejam fazer a varredura dos genomas de pessoas com anorexia novamente, procurando pela eliminação do cromossomo 13 e outras VNCs únicas da anorexia. Segundo eles, é possível que mais pacientes tenham essas VNCs, mas eles não foram atingidos na análise original porque diferem ligeiramente dos tipos de alterações genéticas que os pesquisadores estavam procurando.

Este foi o maior estudo conduzido com objetivo de fazer associações entre a anorexia e causas genéticas. No entanto, os pesquisadores afirmaram que, embora essas variações genéticas sejam promissoras, outros estudos com ainda mais participantes são necessários para confirmar os resultados, bem como para encontrar mais marcadores genéticos da anorexia.

Segundo os pesquisadores, uma vez que um número significativo de genes é encontrado, eles terão a capacidade de fazer um diagnóstico a partir desses marcadores genéticos das pessoas que estão em risco.

 

Fonte: http://hypescience.com/pesquisadores-encontram-marcadores-geneticos-para-a-anorexia/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+feedburner/xgpv+(HypeScience)