O velho é o novo novo?


Em um tweet que dizia “o velho é o novo novo, né?” Pitty Leone deixa dúvidas se fazia apenas uma crítica socio-cultural ou se também dava uma dica sobre a volta da banda de rock para um projeto comemorativo de 10 anos.

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Considerando a hipótese de ela ter deixado vazar informações de forma enigmática às 10:58 da última segunda-feira, e lembrando ainda da turnê de lançamento do primeiro álbum (Admirável Rock Novo), é possível especular que o titulo desse projeto seja Admirável Chip Velho.

Por enquanto as informações oficiais são apenas de que esse e outros projetos serão realizados durante o ano de 2013 pela gravadora Deckdisc.

Dwsz.

Pitty lançará álbum de inéditas em 2013?


Se for só pra cumprir a regra dos anos ímpares, sem muito trabalho a Deckdisc poderia reunir as últimas músicas apresentadas nos Ao Vivo que não entraram em álbum de estúdio e lançar pelo menos um EP em 2013. Continuar lendo

Pitty Stop: banda em recesso + artista em pseudo-crise = fãs em pânico


Compor é como vomitar. Quando você sabe que não vem é porque você sabe que precisa vir. E aí você fica encarando a privada, estimulando os movimentos peristálticos em reversão… e quando vem é pra valer, sai tudo que tinha que sair quase de uma vez, algumas vezes e, inclusive, quando você acha que já botou pra fora tudo que tinha lá dentro, ainda sai mais alguma coisa. Só depois você diz “agora sim!” e vai descansar. Ou voltar prà festa.

Eu tenho pena das pessoas que ouviram apenas dos boatos e daquelas que espalharam esses boatos por não saber ler e interpretar. No ano que vem completaremos 10 anos de Admirável Chip Novo e a Deckdisc não deve deixar passar em branco. No blog a Pitty diz que sua banda entrou em RECESSO. Seriam férias (coletivas) se não houvessem tantos projetos paralelos. O mais notório é o Agridoce, mas o assunto aqui ainda é a banda homônima à vocalista.

Todos sabemos que Pitty só lança material nos anos ímpares – seja por superstição, marketing ou “o tempo das artes”. Assim foi com o Admirável Chip Novo e com o Lado Z (2003), o Anacrônico (2005), o {DES}Concerto (2007), o Chiaroscuro (2009) e A Trupe Delirante no Circo Voador (2011). Houve uma exceção em 2004, que foi o Admirável Vídeo Novo, mas não sei se devo considerar à parte do ACN.

“Pode ser amanhã ou daqui a tempos”. Não importa. O que importa é que vai ter material novo em 2013, inédito ou comemorativo.

Se você rejeita a ideia de estimular o vômito, de enfiar o dedo na garganta e despejar no vaso, talvez você também rejeite a ideia de pegar três ou quatro fórmulas, bolar um hit redondinho com o que você sabe que funciona… Nesse caso, considere reler o primeiro parágrafo.

Dwsz.

» A Onda PITTY.

Pitty aposta na psicodelia em novo CD


Pitty

Image via Wikipedia

Publicado em 14.06.2009, às 16h50, em http://jc.uol.com.br/canal/lazer-e-turismo/celebridades/noticia/2009/06/14/pitty-aposta-na-psicodelia-em-novo-cd-190582.php

As músicas pesadas ficam. As baladas ganham cores e texturas diversas, enquanto um sabor psicodélico atiça os neurônios. Aos 31 anos, a baiana Pitty decidiu mergulhar no passado para atualizar o futuro. Em agosto, quando desvendará por inteiro seu terceiro disco de inéditas – ainda em produção no estúdio/casa do baterista e ex-namorado Duda Machado -, a cantora testará mais uma vez a popularidade com seu público.

Desde janeiro deste ano, a rotina do maior nome feminino do rock nacional é a mesma. Shows no fim de semana e 12 horas diárias de experimentos, rabiscos e discussões durante a semana no aconchegante espaço no centro de São Paulo que a cantora chama de ‘factory’. “Enquanto gravo uma voz, o Martin (guitarrista) cozinha, o Spencer (videodesigner) alimenta e edita nosso site, alguém pinta uma tela. Montamos um espaço criativo onde as ideias são fomentadas a todo momento”, fala Pitty, enquanto bate as cinzas de mais um cigarro.

Cantora e banda ficaram quatro anos sem gravar um álbum de inéditas. Para voltar a escrever, Pitty tirou o pó dos inúmeros cadernos de anotação espalhados pelos cantos e juntou a eles um dicionário, livros de filosofia, psicologia e história da arte. “Tive um bloqueio no início, fiquei angustiada. Não me conformava em fazer o mesmo ou pior. Tinha de ser tudo muito melhor”, comenta.

Os assuntos escolhidos para a nova empreitada não diferem muito daqueles já apresentados em seus dois primeiros álbuns de estúdio (Admirável Chip Novo de 2003, e Anacrônico de 2005). Segundo ela, “uma investigação sobre o ser humano como um todo”.

Musicalmente, entretanto, o disco (ainda sem nome definido) apostará na infusão de músicas “para dançar”, baladas psicodélicas com suspiros de Portishead e Velvet Underground, experimentalismo e o peso habitual de suas composições passadas. “Escutei muitas coisas dos selos Motown, Stax, viciei na obra do (produtor) Phil Spector. Existe peso e leveza. É o disco mais psicodélico que a gente fez na vida. Não esperava que fôssemos para esse lado”, explica, enquanto escuta ao fundo músicas refrescantes de Otis Redding e Sam Cookie. Pitty ainda cita uma ária de Carmem, de Bizet, que inspirou Água Parada, e uma frase de Marcel Proust na canção Medo. “Vamos brincar com tudo. Gravei chuva, maracas, sinos, guizo, palmas, uma voz debaixo da goiabeira.”

Para quem a conhece de outros tempos, Pitty parece muito mais relaxada e certa daquilo que está fazendo. Uma atitude que justifica essa mudança é o ensaio sensual que publicou recentemente em seu site (www.pitty.com.br), onde posa de pin-up “Minha prioridade era mostrar o som e a banda. Agora que isso já está estabelecido, é claro que dá para relaxar mais e usufruir a feminilidade. Amo arte erótica, mas aqui (no Brasil) as pessoas costumam só olhar se o peito está em pé ou se a barriga está boa. Tento canalizar esse tipo de trabalho para lugares nos quais as pessoas encaram como uma forma artística.”

O relaxamento também vem inserido no discurso quanto ao direcionamento do novo disco em relação ao trabalho anterior, que não causou o mesmo impacto que sua estreia. “O fato de o segundo disco não ter sido aceito tão facilmente não reflete em nada agora. O Anacrônico foi o pulo do gato e é um disco infinitamente superior. Se tivéssemos lançado um outro Chip Novo, estaríamos em um mesmo patamar, dançando a mesma dança”, aponta a cantora, que pede insistentemente que sua banda entre na conversa. O guitarrista Martin brinca: “Mas você está falando tão bonito.”

Na tocaia, quando o assunto são as críticas da imprensa escrita, Pitty dispara e ainda “dedica” a música Me Adora (leia nesta página) para parte dos jornalistas: “Existe muita desconfiança com o novo, mas eu já estava ‘caceteada’ com tudo que havia passado em Salvador. Tem jornalista que só gosta de hype, jornalista que quer ser estrela. Estou acostumada.”

Quando questionada sobre os formatos utilizados para o futuro lançamento, a baiana, que hoje namora o baterista do NX Zero, Daniel Weskler, agita-se ao falar do vinil. Além de ganhar a plataforma “anacrônica” pela primeira vez, o CD será disponibilizado também digitalmente e para celulares. Nos shows recentes, quatro músicas têm sido apresentadas para o público: Medo, Água Parada, Rato na Roda e Pra Onde Ir. “É uma forma de testar e decidir quais devem entram no novo álbum”, diz Martin, quebrando o silêncio.

Da turma do novo rock feito no País, Pitty não enxerga similaridade sonora em nenhum outro artista, novo ou velho. “Não fazemos parte de nenhuma cena. Viemos de Salvador, onde o rock é algo muito fragmentado.” A cantora, porém, vê na solidão uma forma de congraçamento com os outros nomes que chegaram a São Paulo na mesma época e situação. “Cachorro Grande, Dead Fish, Nação Zumbi e Cascadura são a nossa turma”, argumenta.

Se o novo disco vai agradar aos fãs daquela Pitty que estourou na MTV em meados desta década, a artista não sabe nem quer prever nada: “Não acredito que você possa fazer arte de uma maneira tão racional. Fazer arte pensando em que lugar ela tem que ocupar no imaginário das pessoas ou no mercado é publicidade, não é música.”

Fonte: AE