Do excesso de exatas na Escola Técnica (atual IFBA)


Muitos alunos reclamam de termos MQF (Matemática, Química, Física) em excesso, tanto por já terem matérias técnicas difíceis, como por acharem que isso os levaria a uma suposta alienação. De fato, alunos de Administração ou Hospedagem, por exemplo, não precisam de tanta Física como um aluno de Mecânica ou Edificações. Mas, quanto ao medo de virar Robocop , devido ao simples ensino de matérias cientificas numa escola técnica, pode ser um tanto exagerado.

Não é a entrada continuada de conhecimentos complexos que faz de nós seres de macacão sem vontade. Quando o processo de urbanização e alfabetização começou no país, muitos pais não gostavam que nenhum de seus filhos estudassem, pois os preferiam trabalhando em casa. Achavam que o simples aprendizado do ABC os deixaria moles para o trabalho, transformando-os em grã-finos que não gostam de pegar enxada (i.e intelectuais).

Hoje em dia é considerado analfabeto funcional quem ao menos não sabe ler um texto simples em inglês. Quem não pôde aprender nem o português hoje é chamado através de nomes de objetos e produtos de consumos: peão, bóia-fria, marmita, lanterninha, pipoca.

Por outro lado, quem tem PHD em Literatura Nórdica, não é necessariamente melhor do que o manobrista de seu carro: tem condições melhores de ser igual. O custo disso foi sua dedicação, potenciada a uma (possível) família amorosa e estável, para quem tem, e um possível gênio ou inclinação.

Se esse PHD chegou a esse lugar pisando sobre outros colegas, bajulando chefes, e depois que arranja um emprego estável se senta na gratificação sem nunca mais contribuir com a matéria, além de não dar a mínima para as mulheres com que sai, não pode ser culpa do lugar que o formou. Se tornou por si mesmo um PHD em Mediocridade Humana. Mas pessoas como essa, do qual cada um de nós deve conhecer um modelo, não nos devem fazer temer o caminho do aprendizado.
Quanto mais compreensão tivermos do mundo, menos seremos mandados por ele. Conheçam ou morram, é o que repetem nos nossos ouvidos. E a parte mais essencial da realidade é justamente aquela que mais nos dói aprender. O problema do IFBA é ser uma escola(ainda) boa cercada de instituições que não cumprem a função para o qual foram construídas. Chegando aqui, achamos tudo difícil, principalmente quem veio de escolas ruins ou tem problemas pedagógicos irresolvidos.

O que percebi, porém, é que a dificuldade não está tanto nos assuntos. Eu é que era difícil. Acontecia com as matérias escolares o mesmo que ocorria com minhas relações sociais. Lembro, agora, de um fato interessante. Foi num show, no Pelourinho. Vi um casal de catadores. Para pegar latas mais rápido, a mulher se abaixava, enquanto o marido a segurava pelo pedaço de tecido que deveria ser sua camisa.

A mulher pegava uma lata, e sem ser solta por ele,a jogava no saco. Depois, repetia o processo. O casal virou um guindaste humano. Toda vez que não quero estudar, lembro desse casal. Por isso, não temo que o IFBA ou a faculdade me façam um tecnóide. Apenas minha própria estupidez tem poder para tal.

Fonte: via Professor Nick 

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