Carta de Alforria


Eu gostaria, honestamente, de poder acreditar que este relato é fruto de alucinação ou surto. Eu gostaria, honestamente, de estar errado quando chego a conclusões tão absurdas.
Não sei por que minha família me odeia tanto. E há tanto tempo. Nesses 21 anos que estamos juntos, não me lembro de momentos felizes. Lembro-me, às vezes, de alguns instantes alegres, talvez com os presentes sorrindo. Mas rindo mesmo, quando eu estava no local, seria de mim ou sem mim. Quero dizer que eles estariam se divertindo às minhas custas ou por ter a garantia do meu isolamento.
Isso acontece desde criança. E desde cedo minha mãe me leva a vários médicos, com vários diagnósticos, receitas, sintomas… Muitos desses sintomas, na verdade, era a minha mãe que apresentava.
Eu não consigo entender (ou aceitar) como a minha própria mãe poderia me fazer tanto mal, todos esses anos, intencionalmente… Mas há documentos capazes de provar que ela faz essas viagens comigo, sempre com sintomas e diagnósticos convenientes a ela.
 Quem me conhece hoje em dia sabe como é difícil pra mim permitir a aproximação das outras pessoas. Eu não consigo acreditar e confiar totalmente em ninguém, eu já passei semanas inteiras dopado, chegando a esquecer onde eu estava e o que estava fazendo (mesmo que por instantes), fiquei inúmeros períodos sem ter noção de tempo, fosse de horas e minutos, fosse de semanas e meses. Ainda hoje é dificílimo pra mim contar algumas histórias da minha vida em ordem cronológica. Aliás, as histórias que eu consigo contar são apenas as que eu consigo lembrar – e a questão aqui não é a memória, mas as memórias, que são dolorosas.
 Eu gostaria de pedir aos amigos e a alguns inimigos (esses e aqueles, mais específicamente) que me ajudem a coletar dados, documentos, imagens, que me ajudem a provar que eu sou quem eu sou e não quem eles dizem que eu sou (é complexo mas, se você me conhece, já entendeu o que quero dizer). Se você tem documentos – ou cópias deles – que contêm meu nome, fotos em que eu apareça, textos meus, cartas, cartões-postais… qualquer coisa que possa se relacionar à minha personalidade, por favor entre em contato e envie-me cópias desses materiais.
E as minhas postagens, sejam aqui, no Twitter ou no Facebook, terão certa regularidade. Sendo assim, caso não haja atualização em nenhuma dessas mídias por três dias consecutivos, procurem-me pelos meios que puderem pois significa que preciso muito de ajuda. Sou frequentemente ameaçado e temo até que, dopado, alguém me tenha feito assinar algum documento que prejudique potencialmente.
Vou tentar frequentar regularmente o Ifba, mesmo que não tenha esperanças de aproveitar conteúdos, apenas para que as pessoas possam me ver – e observar eventuais “alterações físicas” – além daquela desculpa clássica de “preciso tomar sol” e “preciso andar”. Dessa forma, mesmo nesse ambiente, se eu não aparecer por três dias seguidos, aproximem-se.
 Não me incomoda que pensem “ah, agora ele quer fazer amigos”; esse nunca foi meu objetivo, continua não sendo, mas eu nunca rejeitei a ideia. O que eu preciso, na verdade dura – porém não necessáriamente crua – o que eu preciso é de testemunhas; de pessoas que possam dizer que, de alguma forma, conhecem meu comportamento e minha personalidade. Isso será o bastante quando for necessário confirmar se eu faria ou não faria algo que alguém diz que eu fiz ou não fiz.
Repito o de sempre: se você não entendeu esse texto é porque ele não é pra você e/ou você não precisa entendê-lo (ou, pelo menos, não agora). Mas, se você acredita em mim, faça cópias dele.

Grande abraço,

Dwsz.

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