O ÚLTIMO LOG


Eu nunca precisei do apoio da minha família para fazer nada do que eu queria ou precisava fazer. E nunca quis ou precisei fazer nada realmente importante. Este blog, por exemplo, foi feito por mim desde o começo, desde os blogs anteriores – que tinham outra proposta e formato – sem necessidade de consentimento ou apoio de amigos ou parentes.

Mais tarde eu encontrei a necessidade de ter amigos reais – e não apenas os imaginários, dos diálogos filosóficos – que, a princípio, poderiam ser – e foram – quase exclusivamente os virtuais, sendo que eu conheci pessoalmente quase todos eles. Quando eu precisava de apoio, de idéias, de diálogos reais – e não apenas os imaginários que eu tinha em casa – era a eles que eu recorria, sendo sempre presenteado com sorrisos, algumas festas e, frequentemente, com protestos contra minha passividade no grupo.

Nunca acreditei que isso pudesse acontecer mas o quadro evoluiu ao ponto de precisar do apoio e, em alguns casos também, do consentimento dos familiares. Isto vem acontecendo já há uns três anos – justamente desde a maioridade. Hoje eu sou incapaz de manter o quarto em ordem (ele nunca foi arrumado, mas havia sempre uma ordem que me permitia achar uma caneta debaixo de uma resma de papel espalhado). Sou também incapaz de administrar o tempo, gerenciar as atividades, não tenho tempo nem espaço para ler, escrever ou estudar e até mesmo pensar – que era a atividade que eu mais valorizava e praticava – até mesmo pensar tem sido penoso pra mim. Cheguei a desejar ser acometido por uma doença como o câncer para, por não tratá-lo, poder finalmente ver a conclusão de algo (e, aqui, alguns colegas do Ifba podem compreender o que eu quis dizer sobre aquele sinal no rosto).

Por falta de apoio e consentimento da família eu não posso frequentar o curso de capacitação profissional do SENAI nem participar do programa Jovem Aprendiz dos Correios (e foi minha própria irmã que insistiu que eu fizesse o concurso) e também não tenho certeza de até quando irei ao Ifba. Meus colegas sabem que eu estou faltando muitas aulas e que, quando presente, já não sou o mesmo da primeira semana. Felizmente não vejo qualquer reação da minha família a respeito disso; vê-los se alegrar de tamanha desgraça me faria sofrer ainda mais.

Pra hoje, eu não sei o que tenho mas ainda dá tempo de descobrir que não tenho nada – e vou descobrir, sempre descubro. Para os próximos dias, tenho a esperança de ter muito pouco, embora não acredite muito nisso. E para os tempos futuros… eu espero que o tempo mais futuro não esteja muito longe do tempo presente porque mesmo esse já é de grego.

Até o último dia, tudo que me resta ainda é este blog – que os leitores já devem ter descoberto a farsa a respeito da frequencia dos posts – e comemorar cada acesso que ele tem, sejam cinco em um dia, cinco mil em quatro anos. É tudo que me sobrou e que ainda funciona, é tudo que ainda me traz alegrias – e debates imaginários tão quentes quanto os do passado -, é tudo de que eu posso me orgulhar.

Dwsz.

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